sábado, 17 de agosto de 2013

Lembrancinhas

As folhas desbotadas,
Sobrepostas pelo tempo,
Na terra batida do meu coração,
Ao receberem um golpe de vento; 
Descomportadas querem 
Despedir-se do inverno e namorar o verão.
Essas lembranças soltas,
Rodopiam tal qual Dente de Leão.
Dançam ensandecidas,
Causando rubores na face branca da estação.
Essas memórias Sempre – vivas,
Ainda são bonitas, mesmo depois de colhidas, secas e
Arranjadas conforme o humor da manhã.
Essas memórias são Sensitivas, despertam flor,
Quando tocadas pelo que é leve e frágil.
Essas memórias são Marias Sem Vergonha,
Enfeitam meu caminho quando triste e solitário,
Pra alguns poderiam ser plantas daninhas,
Mas pra mim são doces lembrancinhas,
A colorir meu itinerário.
letras insones

domingo, 9 de junho de 2013

Domingo

Nosso amor é céu,
Nosso amor é laço,
Nosso amor é bobo,
Nosso amor é fácil.

Nosso amor sacia,
Nosso amor incendeia,
Nosso amor é castelo,
Nosso amor é areia.

Nosso amor é porto,
Nosso amor é balão,
Nosso amor é garantia,
Nosso amor é senão.

Nosso amor é simples,
Nosso amor é vão,
Nosso amor é fresta,
Nosso amor é escuridão.

Nosso amor é festa,
Nosso amor é vago,
Nosso amor é vil,
Nosso amor é chato.

Nosso amor é pasto,
Nosso amor é alçapão,
Nosso amor é bala,
Nosso amor é não.

Nosso amor é confuso,
Nosso amor é virtual,
Nosso amor é recluso,
Nosso amor é marginal.

Nosso amor é justo,
Nosso amor é lindo,
Nosso amor é sujo,
Nosso amor é findo .

Nosso amor é cego,
Nosso amor é míope,
Nosso amor é vasto.
Nosso amor existe.

letras insones - junho/ 2013

sábado, 6 de abril de 2013


Mudar papel,
Rasgar ofício.
Se pintar seda:
Origamis.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O amor escondido está guardado numa caixa de sonhos,
onde se lê frágil em letras miudinhas.
O amor escondido é um sorriso de canto
pra aqueles que imaginam a moça, imersa no tédio.
O amor escondido, está guardado no assobio indecente do rapaz,
enquanto ele arruma gavetas.
O amor escondido é um beijo da lua,
adentrando o quarto,
só as sombras são testemunhas.
O amor escondido é pueril brincadeira,
empresta ao rosto cansado,
uma saudade brejeira.
O amor escondido é senha, pedaço nosso
que ninguém adivinha.
O amor escondido é o avesso da exposição,
é mergulhar fundo no silêncio do coração.
O amor escondido se revela triste como qualquer outro.
E se abastece de intimidade incomparável.
O amor escondido cava imensas olheiras no dia da gente.
Ele cansa, faz chorar e perder a inocência.
O amor escondido é tecido de poesia infame, 
torpes mensagens, sussurros e febre.
O amor escondido é peralta, é bandido
é menor, é mais, é meu, é seu, é nosso e só.
letras insones

domingo, 16 de setembro de 2012

Rio Bonito, meu amor

Quero pisar nas suas ruas calçadas por pedras tortas.
Quero pular degrau por degrau as escadarias da matriz.
E ouvir os sinos que tocam meu coração.
Pervertida por suas curvas,
Serra esperança,
Sou de novo verde, sou sua aprendiz.
Suas estrelas são lanterninhas acendendo meus sonhos.
Sua brisa amansa meu cansaço.
Fugindo do que reparte o tempo,
Quero minha cidade natal,
Nascedouro do que em mim é força vital.
Quero namorar suas varandas,
Ouvir suas histórias despreocupadas da verdade.
Quero suas geleias, compotas, tortas.
Um gosto do que é raiz brota ao passar por ti.
Casa dos primeiros amores,
Praça onde a inocência beijou a ousadia.
Lugar pra onde vou quando me falta ar e poesia.
Preciso ser mais do que sou
e isso me revela.
A poesia é uma zona que me aproxima do que eu deveria ser.
É aonde me torno maior do que sou na gaiola dos meus pensamentos.
Me liberto num só golpe, empurrando as portas 

com as minhas asas cortadas,
Regeneradas pelo por vir.
Voo livre, tonta, indecente, desajustada, infantil.
Com ela me excedo, com ela me basto, com ela eu me arrebento.
Brinco, brinco feito criança experimentando barro e água.
Ousando ser mais massa plástica do que cimento.
Meus versos são meus castelos sem forma,
minha casa sem endereço,
Sou eu cavalo, sem açoite.
São meus cabelos sem pentes,
Meus desconfortáveis sonhos sem travesseiros de penas.
Sou eu sem ser eu mesma.
letras insones

terça-feira, 31 de julho de 2012

Amores, eu tentei.
Tentei, mas não foi dessa vez.
Coloco de novo meu salto alto
E de banda, o batom.
Só queria saber quando começa o fim.
Ai, sobra vaga nesse tonto coração.
Ai de mim.
Mas agora só entra se souber a senha.
Ela terá a leveza de um biscoitinho de nata,
Mas o barulho de uma revoada.
Ela terá a eternidade de uma valsa,
E o instante do vôo de uma borboleta.
Esse código, estampado na retina,
É coisa de menina que se permite mar.
Ah, mar!
É amor cozido na panela de barro,
sem pressa, divagação.
É convite, não é convocação.
Nada de poeta punhetando pauta de reunião.
Nada de burocratizar, o que se quer balão.
É tempo de dormir na rede, é preliminar, é fruição.
É urgente, um amor que não aceite regra,
e sim combinação.
letras insones