segunda-feira, 7 de maio de 2012

Minhas saias asas,
Me levam até você.
Sinto cheiro de corpo,
Se aproximar do meu pedaço.
É quase um vento que sopra,
É quase experimentar um barato.
Sua mão descabela meu cansaço.
Incendeia meu vocabulário.
Nele, tudo que for indecente,
Tem seu lugar.
Nada escandaliza,
Tudo compõe.
Ouso flor vermelha no decote,
Laçarotes e exageros.
Tudo casado com o batom,
Despretensiosamente.
Esse vento bom,
Bate a porta,
Para tudo que for ontem.
Agora,
suspiros interrompem meu cinema.
Nosso banho, quase cena.
Só esse olhar de fera me guia.
Deixa-me torta,
Tonta e destemida.
Suspeito que visitas
Cabem no meu vestidinho rosa chá.
Então, as dores são esquecidas,
Como um bêbado ao desprezar o corte.
Danço valsa com os pés cortados.
E não dói.
Minha roupa foi tirada,
E não sinto frio.
Minha pele foi trocada,
Sinto um arrepio.
Sou bicho novo,
quase outro e sem freio.

LETRAS INSONES
Autorretrato

Sou uma página amarela,
rasbiscada com versinhos de criança.
Um tantão de asa e um pouquinho de âncora.
Entre a agenda de compromissos,
passarinhos na janela.
Tenho pés leves e sonhadoras ancas.
Sou uma noite de insônia,
Esperando o dia.
Sou destemperada água de beber com sede
e alegria.
Vivo ambicionando borboletas na varanda,
Mas do que comprar sapato novo.
Sou uma urtiga que atravessa o asfalto,
ou uma leve brisa que não deixa rastro.
Um prato de cheio de futuro,
Para comer com as mãos,
Sem pressa,
Sem etiqueta.
Sou um pão velho adormecido,
Que sempre acorda rabanada.
Gosto de escola, mas não de caderneta.
Sou um monte de amigas,
Um monte de amores,
Um monte de mães e
Filhas, todos dançando nuas na minha ilha.
Sou aprendiz de ser mãe da Maria,
Incompleta, debutante todo dia.
E por isso, sou mais,
Cada dia melhor, cada dia mais nós.
Minhas saias asas,
Me levam até você.
Sinto cheiro de corpo,
Se aproximar do meu pedaço. 
É quase um vento que sopra,
É quase experimentar um barato.
Sua mão descabela meu cansaço.
Incendeia meu vocabulário.
Nele, tudo que for indecente,
Tem seu lugar.
Nada escandaliza,
Tudo compõe.
Ouso flor vermelha no decote,
Laçarotes e exageros.
Tudo casado com o batom,
Despretensiosamente.
Esse vento bom, 
Bate a porta,
Para tudo que for ontem.
Agora,
suspiros interrompem meu cinema.
Nosso banho, quase cena.
Só esse olhar de fera me guia.
Deixa-me torta,
Tonta e destemida.
Suspeito que visitas
Cabem no meu vestidinho rosa chá.
Então, as dores são esquecidas,
Como um bêbado ao desprezar o corte.
Danço valsa com os pés cortados.
E não dói.
Minha roupa foi tirada,
E não sinto frio.
Minha pele foi trocada,
Sinto um arrepio.
Sou bicho novo,
quase outro e sem freio.

LETRAS INSONES

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Meu poema
se escreve a dois ou mais,
não é tarefa solitária,
é povoada e demais.

Meu poema
carrega outros tantos,
é um jantar intimo,
com amigos estranhos.

Meu poema,
não é coisa pura,
é fonte contaminada,
de sol, chuva e alguma trovoada.

Meu poema
por mais singelo que pareça,
é engodo, monstro esperando leve,
pelo almoço.

Meu poema,
é resto e tem pouco de rosto,
hoje, espero que ele não insinue
a presença de velhos outonos.

letras insones

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sou a aresta que resta
pra você aparar,
Voce que não gosta de festa
e prefere a retidão.
Aconselho: me apare com precisão,
para aquilo que sobrar,
não derreter seu coração.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

No amor,
Não busco acerto,
No amor quero
concerto.
No outro,
Não procuro
espelho,
Com o outro
arrisco mosaicos.

sábado, 27 de agosto de 2011

Ipês roxos e amarelos

disputam a minha retina,

tonta de beleza,

escorre poesia.

Na mata da minha infância mora o espanto;

bambus conversam com o meu silêncio,

malacachetas incendeiam meus riachos,

carrapichos ousam ser mais do que espinhos; enfeites.

Nessa trilha habitam a beleza desesperada dos cogumelos,

a luz divina dos vitrais de sereno, teia e sol.

Neste instante borboletas azuis pousam no meu coração,

ele voa.

Sapos infames espantam meu mau humor; sorrisos.

O cheiro de chão me abastece de bom sentimento; suspiros.

Caracóis são anzóis que me prendem à terra amorosamente.

Coisas estranhas invadem meu sossego;

bicho de pau, grilo, esperança e medo.

Margaridas sem vergonha,

seduzem meus cabelos, indecentemente.

Encarno libélulas lambendo o sol no espelho d'água.

Com as Contas de Nossa Senhora, brinco de paraíso.

Na mata da minha infância,

sou um pouco bicho, criança e planta.