sábado, 2 de abril de 2011

muxoxo

Muxoxos invadem minha poesia.
São vírgulas, ambicionando exclamação.
Quase lágrima, quase dor, quase respiração.
Espaço entre o desaforo e a covardia.
Distração da esperança no meio do meu dia.
Desatenção do sonho que não se recolhia.
É pausa solitária esperando inspiração.
Não é grito é quase gesto.
É instante quase infeliz.
É intervalo para o desdém.
É quase tédio,
quase um descontentamento,
por um triz, quase soco.




terça-feira, 1 de março de 2011

tomate cereja

Recolhia nos campos de minha infância
um punhado de vermelhas emoções
eram tesouros brotando alegria
na simplicidade verde de minhas manhãs

Encontrar o cereja no terreno
de baldio sentimento
era atrasar o relógio
e permanecer criança

De saias, fazia bolsa
cortando pernas com urtigas invejosas
para catar demoradamente
o que eram para mim menina; jóias.

Hoje, como pronto com azeite fino
o que antes era caro
hoje, só a lembrança
faz do insignificante tomatinho
fruto raro.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Por mais delicada
que seja a existência neste instante
vez por outra me sinto aprisionada.
Acho que são essas lembranças farpas,
ferindo meus passarinhos.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Alguém me disse:
é de um amor calmo que você precisa.
Eu aceitei o conselho.
Mas olhando no meu espelho,
revirando os meu baús.
Duvidei.
Esse amor sem arrepios,
com regras,
sem cio,
me parece
comer fruta madura
de garfo e guardanapo.
Espero quem me possa
provar.
Espero quem me possa provar o contrário.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Mal botou a mesa,
já quer a sobremesa.
Quer sobre a mesa
toda sobra.
Sobra mesmo,
mesa posta.
Quero sobre a mesma, aposta.
Postou?


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Borboletinhas fazem cocegas no céu da boca.
Quero boa palavra.
Quero palavra
asa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010