Escrevo pequenos poemas que escorrem das minhas noites insones. São autobiográficos? Não e sim. Poemas simples, de quem precisa da escrita como precisa de ar. Por que escrevê-los num blog? Porque preciso de amigos, amigos-estranhos e de estranhos, penetrando no texto com observações impertinentes. Posso me arrepender disto? Posso. Mas como sou estupidamente apaixonada pela vida perigosa de todos os dias, vou começar..
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Ela está aqui
Sou grata ao destino.
Por me trazer essa amplidão.
o que importa é cuidar do que cresce.
Hoje, a vida se alarga feito um rio.
Se engrandece de urgência.
Urge aquecer o ninho.
Urge colocar as meias no bebê.
Sou grata ao destino
Por me trazer essa beleza.
E esquentar meu coração.
Nada mais sério do que arrumar o berço.
E fazer do meu peito aconchego.
Sou grata ao destino.
Por me exceder em delicadezas.
A vida me presenteia com caixinhas de música,
guizos e chocalhos.
Sou o som de todos eles namorando o instante.
Sou grata ao destino
Por me adicionar brinquedinhos,
meu corpo: balanço, pião, fantoche e pianinho.
Sou grata ao destino.
Por desconfiar do que eu chamava felicidade
Alegria são as mãozinhas dessa menina,
inventado danças na minha rotina.
Música são seus gritos experimentando a língua.
Hoje, sou só esperança e pouco pé no chão.
domingo, 6 de junho de 2010
Espalho sorrisos como quem quer chão,
Aterriso quando vejo refletido nos olhos de outrem
minhas asas descansadas, leves.
Quero remanso, quero colo e lentidão.
Estou pronta pra ficar nua,
ver meu coração vidro espatifado no colchão.
Mas não quero ser saída, resposta e exatidão.
Nada de promessas de perfeito encontro
Nada de cópias de cinema pipoca.
Nada de trilha sonora de rima fácil.
Desprezo a crenças em almas fadadas a união.
Quero o que alguns chamam de tédio,
outros de calmaria.
Eu chamo desafio.
Sim, quero um amor brisa,
que não cure feridas,
mas saiba onde se esconde
o que ainda me impressiona.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Dois sentimentos me tiram o sono com alegria.
Duas maravilhas me arrastam para o bloco de papel e fantasia.
Duas delicadezas mexem deliciosas dentro de mim.
Duas belezas penetram meu silêncio sem permissão.
Duas riquezas movem meu medo até encontrar a paz.
Duas canções me fazem quente, voraz e potente.
Elas futucam as noites e descansam de dia.
Elas são meu presente, meu contentamento, minha espera.
Elas são minhas crianças:
minha poesia e meu amor por Maria.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
hoje
Vivo um momento rosa sem receios.
Um tanto acalorada por essa nova realidade,
Devaneio passarinhos entre flores do nosso intimo jardim.
Quando a cortina do dia se fecha.
Somos só nós, somos só nossa própria alegria disfarçada de solidão.
Alegria de sentir todo dia que o amor não precisa ser pequeno.
Ele pode rimar com infinito.
Ele pode desrespeitar fronteiras.
Ele pode se alargar, imensidão.
Vivo um momento rosa e orgulhoso,
Sinto que somos tanta força, quase cachoeira.
Somos quase uma pausa no tempo.
Somos quase silêncio no urbano.
Somos uma música gentil.
Emprestamos ao mundo nosso deslumbramento.
Enquanto o tempo constrói suas licões.
Uma por uma, todos os dias, sem cessar.
Enquanto você cresce, eu me liberto do que dói.
Quando mexe dentro de mim, sorri o meu destino.
Não existe momento mais rosa, e isso não mais me apavora.
Quero tudo que for delicado para compor sua vinda, minha menina.
Um tanto acalorada por essa nova realidade,
Devaneio passarinhos entre flores do nosso intimo jardim.
Quando a cortina do dia se fecha.
Somos só nós, somos só nossa própria alegria disfarçada de solidão.
Alegria de sentir todo dia que o amor não precisa ser pequeno.
Ele pode rimar com infinito.
Ele pode desrespeitar fronteiras.
Ele pode se alargar, imensidão.
Vivo um momento rosa e orgulhoso,
Sinto que somos tanta força, quase cachoeira.
Somos quase uma pausa no tempo.
Somos quase silêncio no urbano.
Somos uma música gentil.
Emprestamos ao mundo nosso deslumbramento.
Enquanto o tempo constrói suas licões.
Uma por uma, todos os dias, sem cessar.
Enquanto você cresce, eu me liberto do que dói.
Quando mexe dentro de mim, sorri o meu destino.
Não existe momento mais rosa, e isso não mais me apavora.
Quero tudo que for delicado para compor sua vinda, minha menina.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Você pousou seus passarinhos na minha janela.
Voamos raso, voamos fundo, voamos muito.
A casa do meu amigo
Na casa do meu amigo,tenho um abrigo.
Encontro minha terra perdida, meu quase paraíso.
Lá tudo e nada se parece comigo.
Tem um sol no quintal que esquenta o coração.
E uma sombra na varanda para espantar o calorão.
Tem folhas que ele não varre, esperando o verão.
Caídas, tecem os tapetes da estação.
Na casa do meu amigo o cachorro é desobediente.
E o vento inconsequente espalha amoras doces pelo chão.
A plantação cresce desarvorada, em liberdade indecente.
As cores das paredes, calmamente desbotadas,
adornam velhas canções comigo guardadas.
O violão encostado na parede pede serenata.
Mas ele toca uma moda de viola improvisada,
Doce e bravamente descompassada
Canequinhas de porcelana aguardando o seu café,
que esquenta o coração de qualquer mulher.
Na casa do meu amigo o quintal é um bosque
habitado por lembranças e vozes de crianças,
que teimam em não crescer.
Lá não tenho medo do escuro dos fantasmas,
tenho velas acesas por todos os lados.
A fala mansa do meu amigo é meu cobertor,
seu sorriso gaiato protetor.
Se dizem que isso é fraqueza,
se esconder da amargura e da tristeza,
Encontro minha terra perdida, meu quase paraíso.
Lá tudo e nada se parece comigo.
Tem um sol no quintal que esquenta o coração.
E uma sombra na varanda para espantar o calorão.
Tem folhas que ele não varre, esperando o verão.
Caídas, tecem os tapetes da estação.
Na casa do meu amigo o cachorro é desobediente.
E o vento inconsequente espalha amoras doces pelo chão.
A plantação cresce desarvorada, em liberdade indecente.
As cores das paredes, calmamente desbotadas,
adornam velhas canções comigo guardadas.
O violão encostado na parede pede serenata.
Mas ele toca uma moda de viola improvisada,
Doce e bravamente descompassada
Na casa do meu amigo tem mosquiteiro,
Canequinhas de porcelana aguardando o seu café,
que esquenta o coração de qualquer mulher.
Na casa do meu amigo o quintal é um bosque
habitado por lembranças e vozes de crianças,
que teimam em não crescer.
Lá não tenho medo do escuro dos fantasmas,
tenho velas acesas por todos os lados.
A fala mansa do meu amigo é meu cobertor,
seu sorriso gaiato protetor.
Se dizem que isso é fraqueza,
se esconder da amargura e da tristeza,
na sombra fresca do chápeu do meu amigo,
Não sei, mas faço isso com gosto.
Ele sabe meus segredos e desconfia de minha sorte,
Na sua companhia não sinto sede de vida, ou temo a morte.
Esse amor de amigo é um pote de mel para eu devorar.
Sozinha, inocente e devagar.
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