segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ela está aqui

Sou grata ao destino.
Por me trazer essa amplidão.
o que importa é cuidar do que cresce.
Hoje, a vida se alarga feito um rio.
Se engrandece de urgência.
Urge aquecer o ninho.
Urge colocar as meias no bebê.
Sou grata ao destino
Por me trazer essa beleza.
E esquentar meu coração.
Nada mais sério do que arrumar o berço.
E fazer do meu peito aconchego.
Sou grata ao destino.
Por me exceder em delicadezas.
A vida me presenteia com caixinhas de música,
guizos e chocalhos.
Sou o som de todos eles namorando o instante.
Sou grata ao destino
Por me adicionar brinquedinhos,
meu corpo: balanço, pião, fantoche e pianinho.
Sou grata ao destino.
Por desconfiar do que eu chamava felicidade
Alegria são as mãozinhas dessa menina,
inventado danças na minha rotina.
Música são seus gritos experimentando a língua.
Hoje, sou só esperança e pouco pé no chão.

domingo, 6 de junho de 2010

Espalho sorrisos como quem quer chão,

Aterriso quando vejo refletido nos olhos de outrem

minhas asas descansadas, leves.

Quero remanso, quero colo e lentidão.

Estou pronta pra ficar nua,

ver meu coração vidro espatifado no colchão.

Mas não quero ser saída, resposta e exatidão.

Nada de promessas de perfeito encontro

Nada de cópias de cinema pipoca.

Nada de trilha sonora de rima fácil.

Desprezo a crenças em almas fadadas a união.

Quero o que alguns chamam de tédio,

outros de calmaria.

Eu chamo desafio.

Sim, quero um amor brisa,

que não cure feridas,

mas saiba onde se esconde

o que ainda me impressiona.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dois sentimentos me tiram o sono com alegria.
Duas maravilhas me arrastam para o bloco de papel e fantasia.
Duas delicadezas mexem deliciosas dentro de mim.
Duas belezas penetram meu silêncio sem permissão.
Duas riquezas movem meu medo até encontrar a paz.
Duas canções me fazem quente, voraz e potente.
Elas futucam as noites e descansam de dia.
Elas são meu presente, meu contentamento, minha espera.
Elas são minhas crianças:
minha poesia e meu amor por Maria.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

hoje

Vivo um momento rosa sem receios.
Um tanto acalorada por essa nova realidade,
Devaneio passarinhos entre flores do nosso intimo jardim.
Quando a cortina do dia se fecha.
Somos só nós, somos só nossa própria alegria disfarçada de solidão.
Alegria de sentir todo dia que o amor não precisa ser pequeno.
Ele pode rimar com infinito.
Ele pode desrespeitar fronteiras.
Ele pode se alargar, imensidão.
Vivo um momento rosa e orgulhoso,
Sinto que somos tanta força, quase cachoeira.
Somos quase uma pausa no tempo.
Somos quase silêncio no urbano.
Somos uma música gentil.
Emprestamos ao mundo nosso deslumbramento.
Enquanto o tempo constrói suas licões.
Uma por uma, todos os dias, sem cessar.
Enquanto você cresce, eu me liberto do que dói.
Quando mexe dentro de mim, sorri o meu destino.
Não existe momento mais rosa, e isso não mais me apavora.
Quero tudo que for delicado para compor sua vinda, minha menina.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Você pousou seus passarinhos na minha janela.

Voamos raso, voamos fundo, voamos muito.





A casa do meu amigo

Na casa do meu amigo,tenho um abrigo.

Encontro minha terra perdida, meu quase paraíso.

Lá tudo e nada se parece comigo.

Tem um sol no quintal que esquenta o coração.

E uma sombra na varanda para espantar o calorão.

Tem folhas que ele não varre, esperando o verão.

Caídas, tecem os tapetes da estação.

Na casa do meu amigo o cachorro é desobediente.

E o vento inconsequente espalha amoras doces pelo chão.

A plantação cresce desarvorada, em liberdade indecente.

As cores das paredes, calmamente desbotadas,

adornam velhas canções comigo guardadas.

O violão encostado na parede pede serenata.

Mas ele toca uma moda de viola improvisada,

Doce e bravamente descompassada

Na casa do meu amigo tem mosquiteiro,

pra cuidar de celebrar as coisas simples.

Canequinhas de porcelana aguardando o seu café,

que esquenta o coração de qualquer mulher.

Na casa do meu amigo o quintal é um bosque

habitado por lembranças e vozes de crianças,

que teimam em não crescer.

Lá não tenho medo do escuro dos fantasmas,

tenho velas acesas por todos os lados.

A fala mansa do meu amigo é meu cobertor,

seu sorriso gaiato protetor.


Se dizem que isso é fraqueza,

se esconder da amargura e da tristeza,

na sombra fresca do chápeu do meu amigo,

Não sei, mas faço isso com gosto.



Ele sabe meus segredos e desconfia de minha sorte,

Na sua companhia não sinto sede de vida, ou temo a morte.

Esse amor de amigo é um pote de mel para eu devorar.


Sozinha, inocente e devagar.