sábado, 24 de janeiro de 2009

Desperdícios

Estou sem inspiração por tempo indeterminado.
Causa: dor sem nome, sem cabimento.
Dor de esperar nua quem não vem.
Dor de fazer da rima, água parada, quase podre, quase limo.
Escorreguei inebriada com seu sorriso, mais uma vez.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

tolices

Esqueci o som da chuva na vidraça,
Aprendi a desconfiar do silêncio das cachoeiras,
Passei a ter ciúme do pôr do sol,
Desprezei fadinhas assanhadas que dançavam no meu ventre.
Pisei sobre dormideiras e marias sem vergonha.
Achei tolice flertar com o acaso.
Mas esse agora que você inaugura,
Vem junto com tudo que é indecente e causa espanto.
Começo abrir janelas e portas,
Aguardo tempestades e calores,
Espero ventanias descortinando esperanças,
Gasto horas imaginando teu perfume.
Ai, que troço é esse que de novo faz tremer minhas carnes?
Sopro então as asas de borboletinhas sonolentas,
que acordam risonhas e fazem cócegas no meu intimo.
Acho que voltei a cultivar amores perfeitos.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Doce nó

Nosso beijo:
Pudim de leite.
Nosso abraço:
suspiros.
Nossos sorrisos:
quindins.
Nosso roçar de pêlos:
pão de ló.
Nosso gosto: bombom.
Nossa cama:
rocambole.
Nosso sexo:
pipoca quando estoura.
Nosso sono:
bem casado.
Seus olhos fazem cosquinha no meu coração.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Que delícia essa sopinha que você faz
mexendo
sua colher ânimo
na minha panelinha de sonhos:
prato cheio.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Algo trágico e feio: um campo de flores incendiado.
Hoje, acordei dramática.
Então, escrevo: meu coração é um incêndio de flores.
Muitas cinzas e pouco perfume.
Confesso, resisti: A fila anda? Não!! Então, descobri: anda. Mas afirmo: anda bem devagarinho.