Estou arrumando a casa,
um trabalho danado dá isso.
Encontro lugares secretos, quase precipicios.
Descubro pontes que não sei para onde saltam.
Estou de cara para o meu armário de argumentos.
Todos eles pedem paciência.
Sobra despensa para o meu orgulho.
Falta baú para minhas esperanças.
Elas escorrem, sem contenção.
Estou arrumando a casa,
um trabalho danado dá isso.
Devo me arriscar a solidão.
Minha decoração é lembrança.
Minha penteadeira, infância.
Minha cozinha, o tempo.
Minha cama, espera sem desespero.
Minha janela, aguarda passarinhos.
Minha porta, agora alerta.
Estou arrumando a casa,
um trabalho danado dá isso.
Nas paredes, quem me dá alegria.
Na gaveta, quem me tirou a paz.
Na geladeira, o que não devo dizer.
Preguiça de jogar fora o que não presta.
E o que não presta? Reciclo generosa.
No banheiro, chuveiro de choro.
No chuveiro, canção morna ambicionando o verão.
No espelho, uma mulher de lenços e vassoura na mão.
Estou arrumando a casa,
um trabalho danado dá isso.
Escrevo pequenos poemas que escorrem das minhas noites insones. São autobiográficos? Não e sim. Poemas simples, de quem precisa da escrita como precisa de ar. Por que escrevê-los num blog? Porque preciso de amigos, amigos-estranhos e de estranhos, penetrando no texto com observações impertinentes. Posso me arrepender disto? Posso. Mas como sou estupidamente apaixonada pela vida perigosa de todos os dias, vou começar..
domingo, 2 de agosto de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Ah, esse novo amor tem gosto de eterno.
Foi só deslumbramento ao descobrir um pouco rosa, meu destino.
Ele me leva às lágrimas e me faz sorrir de modo inédito.
É uma sensação impar de contentamento em meio ao ócio.
A insônia não é desespero, momento precioso para conversar com o que dentro de mim cresce.
Tenho um pouco de medo, mas um tantão de alegria.
Tenho um pouco de dor, mas infinita esperança.
Meu dia só quer encontrar o momento em que posso ouvir nosso futuro.
Meu dia só quer a paz de nosso presente.
Foi só deslumbramento ao descobrir um pouco rosa, meu destino.
Ele me leva às lágrimas e me faz sorrir de modo inédito.
É uma sensação impar de contentamento em meio ao ócio.
A insônia não é desespero, momento precioso para conversar com o que dentro de mim cresce.
Tenho um pouco de medo, mas um tantão de alegria.
Tenho um pouco de dor, mas infinita esperança.
Meu dia só quer encontrar o momento em que posso ouvir nosso futuro.
Meu dia só quer a paz de nosso presente.
terça-feira, 14 de julho de 2009
O que me tira o sono?
São essas palavras guardadas no fundo da garganta querendo virar grito.
Elas estão aprisionadas numa cela desgastada pelo tempo.
Presas as palavras ecoam pela cabeça que lateja.
Se elas forçassem as grades do medo, poderiam me libertar de ontem.
Quando aprendi que o silêncio é o segredo para viver em paz?
Quando aprendi a ser melhor porque sou cautelosa?
Queria ser possuída por outro tom!
Queria quebrar as garrafas que me foram lançadas mar adentro de mim, displicentes.
Queria romper o pacto de enganar meu coração com excesso de delicadeza.
São essas palavras guardadas no fundo da garganta querendo virar grito.
Elas estão aprisionadas numa cela desgastada pelo tempo.
Presas as palavras ecoam pela cabeça que lateja.
Se elas forçassem as grades do medo, poderiam me libertar de ontem.
Quando aprendi que o silêncio é o segredo para viver em paz?
Quando aprendi a ser melhor porque sou cautelosa?
Queria ser possuída por outro tom!
Queria quebrar as garrafas que me foram lançadas mar adentro de mim, displicentes.
Queria romper o pacto de enganar meu coração com excesso de delicadeza.
Hoje estou ácida.
Nenhum ácido,
pode curar essa azia,
Esse enjoô de tudo que cheira a covardia.
Essa cólica de medo que ameaça a vida.
Pés frios de melancolia,
exigem meias de nostalgia.
Mas o sono que de dia me inebria,
a noite se despede e leva a fantasia.
Nenhum ácido,
pode curar essa azia,
Esse enjoô de tudo que cheira a covardia.
Essa cólica de medo que ameaça a vida.
Pés frios de melancolia,
exigem meias de nostalgia.
Mas o sono que de dia me inebria,
a noite se despede e leva a fantasia.
domingo, 21 de junho de 2009
Estado interessante
Estou em paz com meu ócio, o meu corpo exige silêncio.
A fome não ameaça minha vaidade: como a vida sem medidas.
Tudo pode esperar, menos o que o corpo exige. Ele é imperativo.
Hora de dormir, durmo. Hora de comer, como. Hora de fazer xixi, não me demoro.
Ai de mim, se não obedece-lo.
Estou mais velha e não envelheci. Estou mais menina, e tenho meus segredos.
Eles falam de tudo que preciso silenciar para não pintar de cinza, esse momento azul.
Só obedeço as imposições do amor que habita em mim. O amor é meu carrosel.
Vejo a vida mais comprida, vivo sem pressa uma estranha paz.
Sou impressa por abraços, carimbada por cafunés, marcada por encontros graça.
Estou gerando um filho e isso me faz um pouco santa.
Estou gerando um filho e isso me faz um pouco bruxa.
Estou gerando um filho e isso me faz um pouco mansa.
Estou gerando um filho e isso me faz um pouco bicho.
Estou tomada de coragem. Investida de beleza. Seduzida por delicadezas.
A solidão não existe.
A fome não ameaça minha vaidade: como a vida sem medidas.
Tudo pode esperar, menos o que o corpo exige. Ele é imperativo.
Hora de dormir, durmo. Hora de comer, como. Hora de fazer xixi, não me demoro.
Ai de mim, se não obedece-lo.
Estou mais velha e não envelheci. Estou mais menina, e tenho meus segredos.
Eles falam de tudo que preciso silenciar para não pintar de cinza, esse momento azul.
Só obedeço as imposições do amor que habita em mim. O amor é meu carrosel.
Vejo a vida mais comprida, vivo sem pressa uma estranha paz.
Sou impressa por abraços, carimbada por cafunés, marcada por encontros graça.
Estou gerando um filho e isso me faz um pouco santa.
Estou gerando um filho e isso me faz um pouco bruxa.
Estou gerando um filho e isso me faz um pouco mansa.
Estou gerando um filho e isso me faz um pouco bicho.
Estou tomada de coragem. Investida de beleza. Seduzida por delicadezas.
A solidão não existe.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
O tempo
é asa para o meu ofício:
delirar.
O tempo
é âncora para minha arte:
amar.
O tempo é desespero
para minha mania:
eternizar.
O tempo é
consolo para minha manha:
ameninar.
O tempo é
tempestade para minha natureza:
exagerar.
O tempo é bonança para a santa que mora em mim:
perdoar.
O tempo é
um velho cansado,
empurrado
por uma criança.
O tempo é uma moça bonita,
sorrindo na janela do trem.
A moça vai embora, e o perfume se espalha.
O tempo é o velho do saco,
caçando esperanças crianças
nas ruas cinzas.
O tempo é uma lagarta,
ensaiando belezas suspeitas.
O tempo é um menino levado,
zombando dentro de mim,
fazendo caretas para minha dureza.
é asa para o meu ofício:
delirar.
O tempo
é âncora para minha arte:
amar.
O tempo é desespero
para minha mania:
eternizar.
O tempo é
consolo para minha manha:
ameninar.
O tempo é
tempestade para minha natureza:
exagerar.
O tempo é bonança para a santa que mora em mim:
perdoar.
O tempo é
um velho cansado,
empurrado
por uma criança.
O tempo é uma moça bonita,
sorrindo na janela do trem.
A moça vai embora, e o perfume se espalha.
O tempo é o velho do saco,
caçando esperanças crianças
nas ruas cinzas.
O tempo é uma lagarta,
ensaiando belezas suspeitas.
O tempo é um menino levado,
zombando dentro de mim,
fazendo caretas para minha dureza.
terça-feira, 2 de junho de 2009
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